quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Andrés: de 'todo poderoso' a coadjuvante na seleção brasileira

Andrés: de 'todo poderoso' a coadjuvante na seleção brasileira
A saída do técnico Mano Menezes e a demissão de toda a comissão técnica da seleção brasileira foram ‘a gota d’água’ para que Andrés Sanchez também deixasse seu cargo na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Atuando como ‘diretor de seleções’ desde novembro do ano passado, o cartola corintiano foi perdendo voz na entidade desde o afastamento de Ricardo Teixeira da presidência e, nesta quarta-feira, oficializou sua saída, que já era esperada desde a última segunda-feira.

Voto vencido na decisão sobre a demissão de Mano Menezes, Andrés viu toda a sua comissão técnica ser mandada embora pelo atual presidente da CBF, José Maria Marín, que também contou com o apoio do vice-presidente Marco Polo del Nero para fazer a ‘limpa’ na seleção. Assim, quando anunciou a saída de Mano, o dirigente corintiano fez questão de deixar claro que não concordava com a atitude do presidente e o considerava ‘corajoso’ por tomá-la neste momento ­ a menos de dois anos da Copa do Mundo no Brasil.
Andrés e o presidente da CBF, 
José Maria Marin
Depois, na segunda-feira, em evento da Soccerex no Rio de Janeiro, Andrés deu claros indícios de que deveria deixar o cargo na CBF em breve.

"Não pedi demissão, nem fui demitido. Vou falar com o presidente para acertar os ponteiros, mas a tendência é essa. Eles (Marin e Marco Polo Del Nero, vice da entidade) querem pessoas da confiança deles. É algo de direito, para planejar os próximos anos. Como dizem, se querem tirar todos que o Ricardo (Teixeira, ex-presidente da CBF) chamou, vou ser o próximo a sair então."

A conversa entre Andrés e Marin, no entanto, acabou não acontecendo. O agora ex-diretor de seleções tentou se encontrar com o presidente da CBF por algumas vezes nos últimos dias, mas sem obter êxito, decidiu entregar o cargo na entidade nesta quarta-feira, mesmo sem ter conversado pessoalmente com José Maria Marin. 

A demissão de Mano foi mais uma prova de que Andrés não tinha mais tanta influência na CBF como chegou a ter quando foi convidado pelo ex-presidente da entidade, Ricardo Teixeira para trabalhar na Confederação. Os dois se aproximaram desde que o ex-presidente corintiano fez campanha para Kleber Leite, o candidato de Teixeira na eleição do 'quase' extinto Clube dos Treze, ainda em 2010 e, desde então, só estreitaram as relações. 

Primeiro, o então presidente da entidade máxima do futebol convidou Andrés para ser o chefe da delegação brasileira na Copa da África do Sul, no mesmo ano. Depois, veio o veto ao Morumbi para sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014 em São Paulo e o apoio à nova Arena Corinthians para substituir o estádio são-paulino - quando o apelidado ‘Itaquerão’ sequer havia começado a sair do papel.

Mas foi no ano passado que Andrés Sanchez ‘consolidou’ de vez sua influência na CBF ao ser nomeado, em novembro, para o cargo de diretor de seleções, criado especificamente para o cartola corintiano, que deixou a presidência do clube paulista mais cedo ­ em dezembro de 2011, dois meses antes do previsto - justamente para assumir o novo posto na Confederação. Antes disso, até por sua proximidade com Ricardo Teixeira, Andrés havia sido apontado como um possível sucessor do cartola na presidência da CBF.

Na entidade máxima do futebol brasileiro, a função do dirigente corintiano era basicamente coordenar os trabalhos feitos nas seleções masculina, feminina e também nas categorias de base, indicando as comissões técnicas e acompanhando de perto o trabalho realizado nas equipes. E, no caso da seleção principal, Andrés conseguia desenvolver sua atividade ainda melhor, por já ter trabalhado com Mano Menezes nos tempos de Corinthians. 

Mas com o afastamento de Ricardo Teixeira da presidência da CBF e a chegada de Marco Polo del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol, para ser o homem forte da entidade ao lado de José Maria Marin (que ficou com o cargo máximo), Andrés começou a encontrar alguns ‘obstáculos’ nos trabalhos da seleção e foi perdendo a voz na entidade.

A grande questão que deixava o ex-presidente corintiano e a dupla Marin/Del Nero em lados opostos era justamente a opinião sobre o trabalho de Mano Menezes como técnico do Brasil. Enquanto presidente e vice-presidente da CBF queriam a demissão do treinador por conta da falta de resultados expressivos com a seleção, Andrés insistiu em mantê-lo pelo menos até a Copa das Confederações no meio do ano que vem. Mas, na semana passada, Marin e Del Nero ‘ignoraram’ de vez a opinião do diretor de seleções e demitiram Mano Menezes, mesmo após terem visto o Brasil evoluir um pouco mais dentro de campo nos últimos meses.
Andrés estava 'segurando' Mano na seleção
Mais do que isso, a dupla que comanda a CBF também decidiu pela saída de toda a comissão técnica da seleção e até mesmo do treinador da equipe feminina, Jorge Barcellos, o que acabou interferindo diretamente no trabalho de Andrés Sanchez. O diretor de seleções, no entanto, foi mantido em um pedido especial de Marin, que fez questão de 'insistir' para Andrés permanecer no cargo até 2014. 

E, a princípio, o dirigente corintiano concordou em ficar. Conversou com Mano para comunicá-lo sobre a demissão, falou com os jornalistas sobre a ‘mudança’ que a presidência estava planejando para a seleção e se incluiu na continuidade dos trabalhos, afirmando que ficaria na CBF até o Mundial.

Cinco dias depois, no entanto, Andrés ‘mudou de ideia’. O cartola, que chegou à CBF cheio de prestígio, se deu conta que já não tinha mais tanta ‘voz’ junto a Marin e Del Nero, atuais comandantes da entidade, e concluiu que não fazia mais sentido continuar. O cargo criado para ele agora foi extinto e o antigo posto de 'coordenador de seleções' voltará a ativa, com um novo nome para a posição a ser anunciado em breve.

Enquanto isso, é possível que Andrés Sanchez prepare seu retorno à Confederação Brasileira de Futebol com estilo. Algumas especulações dão conta de que o cartola estaria se unindo a Ronaldo, atual membro do Comitê Organizador Local para a Copa de 2014, e que poderia lançar sua candidatura à presidência da entidade máxima do futebol brasileiro nas próximas eleições. 
Com a saída de Ricardo Teixeira, Andrés perdeu força na CBF

Fonte:msnesportes

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